Se é naquela estrela que te encontro,
também será no seu brilho que te vou perder.
Se é ao anoitecer que te encontro,
também será na madrugada que te vou perder.
É no mesmo instante em que te encontro que te começo a perder,
a cada segundo, a cada minuto.
A cada encontro uma perda,
a cada perda uma nova vontade de encontrar. (VM)
domingo, 26 de maio de 2013
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - Luis de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
sábado, 25 de maio de 2013
Amor é fogo que arde sem se ver - Luis de camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Eugénio de Andrade
Quando se esgotam as linhas das mãos
Quando se esgotam as linhas das mãos que apertam as nossas, fazemos das estrelas o papel dos nossos sonhos e tomamos para nós a amargura dos lábios que se apertam por falta de beijos;
nascem flores que nos cansam os olhos com a vida que insistem em trazer;
cantam pássaros que já não incendeiam mais que as cinzas dos cigarros que já fumámos
as árvores só cheiram às madrugadas de insónia
até os rios se esquecem do lugar da foz
estamos e não somos
só
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Palavra que é dita não volta atrás
Palavra que é dita não volta atrás,
é lançada ao vento e flutua...
Rodopia na brisa do sentir
e segue o caminho que lhe foi destinado.
Quando falamos o destino muda,
a cada palavra, a cada frase.
Linhas que se entrelinham,
raio de sol em dia de chuva.(VM)
é lançada ao vento e flutua...
Rodopia na brisa do sentir
e segue o caminho que lhe foi destinado.
Quando falamos o destino muda,
a cada palavra, a cada frase.
Linhas que se entrelinham,
raio de sol em dia de chuva.(VM)
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