sábado, 25 de maio de 2013
Amor é fogo que arde sem se ver - Luis de camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Eugénio de Andrade
Quando se esgotam as linhas das mãos
Quando se esgotam as linhas das mãos que apertam as nossas, fazemos das estrelas o papel dos nossos sonhos e tomamos para nós a amargura dos lábios que se apertam por falta de beijos;
nascem flores que nos cansam os olhos com a vida que insistem em trazer;
cantam pássaros que já não incendeiam mais que as cinzas dos cigarros que já fumámos
as árvores só cheiram às madrugadas de insónia
até os rios se esquecem do lugar da foz
estamos e não somos
só
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Palavra que é dita não volta atrás
Palavra que é dita não volta atrás,
é lançada ao vento e flutua...
Rodopia na brisa do sentir
e segue o caminho que lhe foi destinado.
Quando falamos o destino muda,
a cada palavra, a cada frase.
Linhas que se entrelinham,
raio de sol em dia de chuva.(VM)
é lançada ao vento e flutua...
Rodopia na brisa do sentir
e segue o caminho que lhe foi destinado.
Quando falamos o destino muda,
a cada palavra, a cada frase.
Linhas que se entrelinham,
raio de sol em dia de chuva.(VM)
Tu já me arrumaste - Isabel Meyrelles
Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começámos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo,
tu és ainda o meu relógio de vento,
a minha máquina aceleradora de sangue,
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começámos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo,
tu és ainda o meu relógio de vento,
a minha máquina aceleradora de sangue,
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?
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