É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Canção do dia de sempre - Mário Quintana
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Lancei um papagaio de papel...
Lancei um papagaio de papel,
e fiquei a vê-lo voar.
Lancei o meu nome ao vento,
e fiquei a ouvi-lo ecoar.
Lancei o meu rumo ao mar,
e vi-o perder-se no infinito até naufragar.
Sem direcção, sem sentido,
Bússula que perdeu o norte.
Não tenho para onde ir,
mas também não quero ficar.
Perdi a vontade de sorrir,
mas também não quero chorar.(VM)
e fiquei a vê-lo voar.
Lancei o meu nome ao vento,
e fiquei a ouvi-lo ecoar.
Lancei o meu rumo ao mar,
e vi-o perder-se no infinito até naufragar.
Sem direcção, sem sentido,
Bússula que perdeu o norte.
Não tenho para onde ir,
mas também não quero ficar.
Perdi a vontade de sorrir,
mas também não quero chorar.(VM)
Vaidosa - Cesário Verde
Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.
Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério.
Chamam-te a bela imperatriz das fátuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração como as estátuas.
E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.
Porém eu sei que tu, que como um ópio
Me matas, me desvairas e adormeces,
És tão loira e doirada como as messes,
E possuis muito amor... muito amor próprio.
domingo, 12 de maio de 2013
Canta Onde Nada Existe - Fernando Pessoa
| Canta onde nada existe O rouxinol para seu bem (?), Ouço-o, cismo, fico triste E a minha tristeza também (?) Janela aberta, para onde Campos de não haver são O onde a dríade se esconde Sem ser imaginação. Quem me dera que a poesia Fosse mais do que a escrever ! Canta agora a cotovia Sem se lembrar de viver... |
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