Hoje sinto que não sei o que é sentir,
vivo mas não sei que vida é esta.
Hoje choro mas não reconheço estas lágrimas,
não reconheço o brilho deste meu sorriso.
Hoje caminho mas não sigo os meus passos,
grito mas não oiço a minha propria voz.
Hoje já nem os meus sonhos são os mesmos,
como um balão que flutua, flutua e se perde rumo ao infinito.(VM)
domingo, 16 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Todas as cartas de amor são ridículas
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Às vezes quase vivo...
Estou quase sempre entre o branco e o preto,
quase sempre mais ou menos triste,
às vezes tenho o meu momento quase feliz.
Algumas vezes ainda, estou a um passo do arco íris.
Às vezes chego muito perto do limbo,
outras estou quase a tocar as estrelas.
Balanço sempre entre a quase tristeza e a quase felicidade,
se hoje quase fui feliz,
amanhã será a tristeza que vai chegar muito perto.
VM
quase sempre mais ou menos triste,
às vezes tenho o meu momento quase feliz.
Algumas vezes ainda, estou a um passo do arco íris.
Às vezes chego muito perto do limbo,
outras estou quase a tocar as estrelas.
Balanço sempre entre a quase tristeza e a quase felicidade,
se hoje quase fui feliz,
amanhã será a tristeza que vai chegar muito perto.
VM
terça-feira, 11 de junho de 2013
Tenho medos dos meus ecos...
Tenho medo dos meus ecos,
medo dos meus gritos de silêncio.
Tenho medo de deixar de me ouvir,
de não deixar que os outros me oiçam.
O que existe depois do medo?!
Aconchego, vazio, desilusão...
Se um dia lá longe, bem longe,
deixares de ouvir o que dizes a ti próprio,
Estás a deixar-te perder,
a deixar-te levar pela corrente.(VM)
medo dos meus gritos de silêncio.
Tenho medo de deixar de me ouvir,
de não deixar que os outros me oiçam.
O que existe depois do medo?!
Aconchego, vazio, desilusão...
Se um dia lá longe, bem longe,
deixares de ouvir o que dizes a ti próprio,
Estás a deixar-te perder,
a deixar-te levar pela corrente.(VM)
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Biblioteca Casanatense - Roma
Fundada em 03 de novembro de 1701, pelos dominicanos do Mosteiro de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma, o local é de tirar o fôlego pela beleza.
Possui acervo composto, por aproximandamente 400 000 volumes, cerca de 6 000 manuscritos e 2 200 incunábulos, bem como manuscritos medievais e bíblicos.
De acordo com a história, o espaço foi aberto ao público em geral, por vontade do Cardeal Girolamo Casanate que cedeu sua coleção particular dotada por cerca de 25.000 volumes. Tempos depois foi construído o espaço atual, especialmente para a biblioteca.
Possui acervo composto, por aproximandamente 400 000 volumes, cerca de 6 000 manuscritos e 2 200 incunábulos, bem como manuscritos medievais e bíblicos.
De acordo com a história, o espaço foi aberto ao público em geral, por vontade do Cardeal Girolamo Casanate que cedeu sua coleção particular dotada por cerca de 25.000 volumes. Tempos depois foi construído o espaço atual, especialmente para a biblioteca.
domingo, 9 de junho de 2013
A Espantosa Realidade das Coisas - Alberto Caeiro
A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
sábado, 8 de junho de 2013
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