domingo, 9 de junho de 2013
A Espantosa Realidade das Coisas - Alberto Caeiro
A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
sábado, 8 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Amar é trocar a alma de casa - Mário Quintana
Amar é mudar a alma de casa",
é ter no outro, nosso pensamento.
Amar é ter coração que abrasa,
amar, é ter na vida um acalento.
... Amar é ter alegria que extravasa,
amar é sentir-se no firmamento.
"Amar é mudar a alma de casa",
é ter no outro, nosso pensamento.
Amar, é aquilo que embasa,
é ter comprometimento.
Amar é, voar sem asa,
e porque amar é acolhimento,
"amar é mudar a alma de casa
é ter no outro, nosso pensamento.
Amar é ter coração que abrasa,
amar, é ter na vida um acalento.
... Amar é ter alegria que extravasa,
amar é sentir-se no firmamento.
"Amar é mudar a alma de casa",
é ter no outro, nosso pensamento.
Amar, é aquilo que embasa,
é ter comprometimento.
Amar é, voar sem asa,
e porque amar é acolhimento,
"amar é mudar a alma de casa
Carrossel da vida
Para se sentir o sentimento é preciso segui-lo,
percorrer com ele os caminhos da ilusão,
guia-lo rumo à eternidade.
Sentir o que nos vai cá dentro é uma experiência,
às vezes radical e perigosa,
às vezes monótona e insegura.
Para se sentir o sentimento é preciso vivê-lo,
saboreá-lo e testar os seus limites,
confiar nas suas intenções.
É impossível não sentir neste carrossel de emoções chamado vida... (VM)
percorrer com ele os caminhos da ilusão,
guia-lo rumo à eternidade.
Sentir o que nos vai cá dentro é uma experiência,
às vezes radical e perigosa,
às vezes monótona e insegura.
Para se sentir o sentimento é preciso vivê-lo,
saboreá-lo e testar os seus limites,
confiar nas suas intenções.
É impossível não sentir neste carrossel de emoções chamado vida... (VM)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Canção do Dia de Sempre - Mário Quintana
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Às vezes acho que não me encontro
Ás vezes acho que não me encontro,
que não me pertenço,
que não estou onde estou,
que já não vivo de tanto querer viver.
Sinto que aqui ninguém me sente,
vejo que aqui ninguém me vê.
Sinto que estou ausente,
que fujo de um passado presente.
Sinto o que ninguém vê,
vejo o que ninguém sente.
Se pudesse parava de sentir,
se pudesse sentia sem parar. (VM)
que não me pertenço,
que não estou onde estou,
que já não vivo de tanto querer viver.
Sinto que aqui ninguém me sente,
vejo que aqui ninguém me vê.
Sinto que estou ausente,
que fujo de um passado presente.
Sinto o que ninguém vê,
vejo o que ninguém sente.
Se pudesse parava de sentir,
se pudesse sentia sem parar. (VM)
domingo, 2 de junho de 2013
CONQUISTA - Miguel Torga
Livre não sou, que nem a própria vida
... Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.
Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!
... Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.
Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!
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