sábado, 1 de junho de 2013

Amo-te - Elizabeth Barrett Browning

Amo-te quanto em largo, em alto e profundo,
minha alma alcança quando, transportada, sente,
alongando os olhos deste mundo,
os fins do ser, a graça entressonhada.

 
Amo-te em cada
dia, hora e segundo.
À luz do Sol, na noite sossegada,
e é tão pura a paixão
de que me inundo
quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer
das velhas penas;
Com sorrisos,
com lágrimas de prece,
e a fé da minha infância, ingênua e forte
Amo-te até nas coisas
mais pequenas.
Por toda a vida.
E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei
depois da morte.
 
(Traduzido por Manuel Bandeira)
 
 

Ser Poeta - Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Cada passo uma esperança

Estou a correr para a meta,
cada passo que dou mais longe ela me parece.
Estou a correr para onde quero estar,
lá longe, do outro lado da escuridão.

Cada passo uma esperança,
cada destino uma viagem.
Cada arco-íris uma lembrança,
cada estrela uma mensagem.

Se não encontras o rumo,
abre os braços e inspira.
Se a tua vida não tem cor,
pinta tu a tua dor.(VM)


terça-feira, 28 de maio de 2013

Renascer


Sol de Inverno

Sou como as folhas de Outono,
vivo de estações.
Sou como as flores da Primavera,
vivo de emoções.

Sou como o sol de Inverno,
que a tua alma aquece.
Sou como a chuva de Verão,
forte e determinada, que nunca esmorece.(VM)






OS DEZ LIVROS MAIS VENDIDOS NO MUNDO


As palavras - Eugénio de Andrade

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?