quarta-feira, 22 de maio de 2013
REINVENÇÃO - Cecilia Meireles
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
É possível viver o impossível
Vivo num labirinto e não encontro a saída,
percorro o trilho da minha alma,
espreito pela janela do meu coração,
vejo o mundo com os olhos do meu sentir.
Fecho os olhos e surge o sonho,
realidade só minha.
Voo com os pássaros,
agarro as estrelas,
danço nas ondas do mar.
Se realidade é viver o possível,
então eu vou continuar, ainda que em sonhos, a viver o impossível...(VM)
percorro o trilho da minha alma,
espreito pela janela do meu coração,
vejo o mundo com os olhos do meu sentir.
Fecho os olhos e surge o sonho,
realidade só minha.
Voo com os pássaros,
agarro as estrelas,
danço nas ondas do mar.
Se realidade é viver o possível,
então eu vou continuar, ainda que em sonhos, a viver o impossível...(VM)
terça-feira, 21 de maio de 2013
José Gomes Ferreira
Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!
Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...
Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.
ACORDAI!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!
Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...
Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.
ACORDAI!
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Sinto falta mas não sei de quê...
Sinto falta mas não sei de quê,
tenho saudades mas não sei de quem.
Vivo uma vida que ninguém vê,
fico à espera de alguém que não vem.
Escrevo estas linhas que ninguém lê,
páginas de uma vida esquecida.
Palavras para dizer não sei bem o quê,
historia que ninguém viveu. (VM)
tenho saudades mas não sei de quem.
Vivo uma vida que ninguém vê,
fico à espera de alguém que não vem.
Escrevo estas linhas que ninguém lê,
páginas de uma vida esquecida.
Palavras para dizer não sei bem o quê,
historia que ninguém viveu. (VM)
Noite de Saudade - Florbela Espanca
A noite vem pousando devagar
Sobre a terra que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu ouço a noite a soluçar!
E eu ouço soluçar a noite escura!
Por que é assim tão ´scura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu nem sei donde me vem...
Talvez de ti, ó noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!
Sobre a terra que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu ouço a noite a soluçar!
E eu ouço soluçar a noite escura!
Por que é assim tão ´scura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu nem sei donde me vem...
Talvez de ti, ó noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!
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