Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
nao vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!
Inutil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Urgentemente - Eugénio de Andrade
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Canção do dia de sempre - Mário Quintana
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Lancei um papagaio de papel...
Lancei um papagaio de papel,
e fiquei a vê-lo voar.
Lancei o meu nome ao vento,
e fiquei a ouvi-lo ecoar.
Lancei o meu rumo ao mar,
e vi-o perder-se no infinito até naufragar.
Sem direcção, sem sentido,
Bússula que perdeu o norte.
Não tenho para onde ir,
mas também não quero ficar.
Perdi a vontade de sorrir,
mas também não quero chorar.(VM)
e fiquei a vê-lo voar.
Lancei o meu nome ao vento,
e fiquei a ouvi-lo ecoar.
Lancei o meu rumo ao mar,
e vi-o perder-se no infinito até naufragar.
Sem direcção, sem sentido,
Bússula que perdeu o norte.
Não tenho para onde ir,
mas também não quero ficar.
Perdi a vontade de sorrir,
mas também não quero chorar.(VM)
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