domingo, 5 de maio de 2013

Poema da Noite - Charles Chaplin

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.



Passado, Presente e Futuro...

Estou presa em mim mesma,
refém do que sinto e do que penso.
Hoje penso que não vou sentir,
amanhã já sinto que não vou pensar.

No passado pensei mais do que senti,
no presente sinto o passado que não posso mudar.
Quanto ao futuro sinto que posso pensar diferente,
pensar e sentir tudo como nunca pensei ou senti.

Se nos condenamos por um passado que já foi,
porque não nos podemos libertar por um futuro que ainda está por vir?!(VM)



E mesmo sem querer vou dizendo aquilo que nunca diria...

Digo sempre o que não sinto,
e sinto sempre o que não me atrevo a dizer.
Isto era exactamente aquilo que eu não queria dizer,
e mesmo assim digo não querendo.

O que eu realmente sinto fica nas entre linhas,
de forma subjectiva, sem cor.
Mostro exactamente o que não sou,
o outro lado que de repente se pode tornar o lado certo.

Eu não sou aquilo que digo
e nem sempre digo aquilo que sou.
E mesmo sem querer vou dizendo aquilo que nunca diria... (VM)


Palavras para a Minha Mãe - José Luis Peixoto

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

 

sábado, 4 de maio de 2013

O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa


Embora os meus olhos sejam... António Aleixo

Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do mundo
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo

Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério

Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Espuma dos dias que se perde

Estou descalça na areia fina,
o mar vai e vem.
Sou como as ondas revoltas,
sou água fria e cristalina.

Espuma dos dias que se perde,
realidade que teima em surgir.
O que a vida tira o sonho devolve,
como um cristal que cai sem se partir.

Tenho medo do que é profundo,
pavor da imensidão.
Tudo muda neste mundo,
brisa fresca em dia de Verão.(VM)