mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
domingo, 5 de maio de 2013
sábado, 4 de maio de 2013
Embora os meus olhos sejam... António Aleixo
Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do mundo
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão
Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério
Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
os mais pequenos do mundo
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão
Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério
Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Espuma dos dias que se perde
Estou descalça na areia fina,
o mar vai e vem.
Sou como as ondas revoltas,
sou água fria e cristalina.
Espuma dos dias que se perde,
realidade que teima em surgir.
O que a vida tira o sonho devolve,
como um cristal que cai sem se partir.
Tenho medo do que é profundo,
pavor da imensidão.
Tudo muda neste mundo,
brisa fresca em dia de Verão.(VM)
o mar vai e vem.
Sou como as ondas revoltas,
sou água fria e cristalina.
Espuma dos dias que se perde,
realidade que teima em surgir.
O que a vida tira o sonho devolve,
como um cristal que cai sem se partir.
Tenho medo do que é profundo,
pavor da imensidão.
Tudo muda neste mundo,
brisa fresca em dia de Verão.(VM)
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Angústia - Florbela Espanca
Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!
E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...
E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”
Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!
E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...
E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”
Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Ausência - Carlos Drummond de Andrade
Ausência Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Saber viver é viver sem pressas
Saber viver é seguir sem pressas,
é ultrapassar barreiras.
É caminhar em frente mas não á frente,
seguir lado a lado contigo e sem ti.
E se no início houver obstáculos,
mesmo assim eu continuo.
De cabeça erguida e mente aberta,
abro caminho ao que está por vir.
Desenho no mapa os trilhos que quero percorrer,
liberdade que me aprisiona.
Faço de cada fim um recomeço.
de cada dia um novo amanhecer.(VM)
é ultrapassar barreiras.
É caminhar em frente mas não á frente,
seguir lado a lado contigo e sem ti.
E se no início houver obstáculos,
mesmo assim eu continuo.
De cabeça erguida e mente aberta,
abro caminho ao que está por vir.
Desenho no mapa os trilhos que quero percorrer,
liberdade que me aprisiona.
Faço de cada fim um recomeço.
de cada dia um novo amanhecer.(VM)
Subscrever:
Mensagens (Atom)





