quinta-feira, 18 de abril de 2013

Deixo a minha mente vaguear sem destino,
sem sentido, sem fim, sem recomeço...
Como ondas livres e obstinadas,
ondas de liberdade, de leveza, de sentimento.

É fim de tarde, tudo é calmo e colorido,
depois da azafama, do rebuliço,
tudo entra nos eixos,
cai o pano e tudo ganha outro sentido.

Faz-se silêncio, apagam-se as luzes,
os actores saem de cena.
Mas a cena assim como a vida, não se apagam.
Amanhã tudo recomeça...(VM)


quarta-feira, 17 de abril de 2013

As mais belas bibliotecas universitárias


Mais um dia...
Apesar da incerteza do amanhã continuamos a deixar escapar o hoje. Focamos todas as nossas energias a planear o que vamos fazer a seguir, a pensar em como poderemos  ser felizes quando acontecer isto ou aquilo... Onde ir, o que comprar, o que dizer, o que sentir... E hoje??? o que será do amanhã se não vivermos hoje? Seremos felizes no futuro se olharmos para trás e não houver lembranças que nos façam sorrir?! Um dia alguém disse "o amanhã pode ser longe demais".(VM)

A espantosa realidade das coisas - Alberto Caeiro

A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais, naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.


Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

terça-feira, 16 de abril de 2013

E assim passa um e outro,
depois outro e ainda mais um.

Uns com ar simples e despreocupado,
outros sisudos e melancólicos.
 
Uns cheios de vida,
outros com a vida cheia.
 
Uns que vêem mais além,
outros que além nada vêem.
 
Uns com uma luz brilhante,
outros cujo brilho já se apagou.(VM)



David Mourão-Ferreira

Canção amarga
Que importa o gesto não ser bem
o gesto grácil que terias?
--- Importa amar, sem ver a quem...
Ser mau ou bom, conforme os dias.
Agora, tu só entrevista,
quantas imagens me trouxeste!
Mas é preciso que eu resista
e não acorde um sonho agreste.
Que passes tu! Por mim, bem sei
que hei-de aceitar o que vier,
pois tarde ou cedo deverei
de sonho e pasmo apodrecer.
Que importa o gesto não ser bem
o gesto grácil que terias?
--- Importa amar, sem ver a quem...
Ser infeliz, todos os dias!