terça-feira, 9 de abril de 2013

A palavra impossível - Adolfo Casais Monteiro


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim 
A vida que não se troca por palavras. 
Deram-mo para eu guardar dentro de mim 
As vozes que só em mim são verdadeiras. 
Deram-mo para eu guardar dentro de mim 
A impossível palavra da verdade. 

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível, 
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível, 
Para eu guardar dentro de mim, 
Para eu ignorar dentro de mim 
A única palavra sem disfarce - 
A Palavra que nunca se profere. 

 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A noite está escura como nunca a vi antes...
Uma escuridão profunda e densa,
cheia de  histórias já vividas e
outras que estão só á espera de uma oportunidade para se tornarem reais.
Apesar da escuridão as estrelas continuam lá, brilhantes...
Cada estrela que brilha no firmamento não é uma simples estrela,
São milhões de oportunidades á espera de uma vida que as acolha.(VM)


Esculturas em Livros

 Luciana Frigerio transforma livros em esculturas. Usando obras recicladas, ela dobra, corta e brinca com com cada página, formando letras sempre no estilo de fonte Times ou helvética. Cada livro se torna uma obra de arte com mensagens de amor, letras de música ou palavras de inspiração.


sábado, 6 de abril de 2013

Estou de facto aqui ou sou uma ilusão,
caminho pelo deserto dos meus sentidos.
Atravesso montanhas de felicidade, planícies de tristeza,
florestas de angústia, rios de sonho...
Enfim, eis que surge de repente aquele oásis tão desejado,
mas mais uma vez será realidade ou ilusão,
será mais uma miragem que surge no deserto da minha vida,
da tua vida, da nossa vida... (VM)

Sabedoria - José Régio


Lágrimas Ocultas (Florbela Espanca)

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que rí e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!