sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sophia de Mello Breyner Andresen - Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.


Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.


Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.


Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de mello breyner andresen
mar novo 1958

Sentirmo-nos sós no meio da multidão é um lugar comum.
Percorrer a estrada da vida, viver vidas alheias passando ao lado da nossa própria vida.
Sensação de estar sem estar...
Como um balão que flutua livre, leve e solto, mas não tem para onde ir.
Viagem sem destino,
Labirinto interminável sem saída à vista...(VM)

terça-feira, 2 de abril de 2013

domingo, 31 de março de 2013

Eugénio de Andrade


Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.
Inseguros, incapazes de ser flor,
até a brisa nos perturba e faz tremer.
Por isso a cada gesto que fazemos
cada ave se transforma noutro ser.